Estrada Real em Grande Formato

Comprei uma caixinha com 25 chapas de Ilford HP5 e parti numa viagem solitária de alguns dias pela Estrada Real, de Diamantina a Ouro Preto, em Minas Gerais. Minha única regra: em todos estes dias, poderia usar as 25 chapas (ou seja, 25 fotos no máximo!) para fazer um retrato sentimental das paisagens que permeavam minha memória quando fiz este mesmo trajeto no ano passado, de bicicleta.

Há um ano, não pude carregar câmeras e nem quis, pelo peso proibitivo para uma viagem feita sentado em uma bicicleta. Uma sábia escolha pois, houvesse eu levado câmera, teria certamente desistido no meio do caminho. Daquela vez, levei comigo somente a carteira, o celular, uma bermuda e uma camiseta para dormir, mais a roupa para pedalar, que eu já levava vestida no corpo.

Desta vez, já dentro de um carro e muito mais confortável em relação ao peso carregado, decidi levar uma câmera de grande formato, modelo de 1947, uma Graflex Crown Graphics (câmera muito utilizada pela imprensa na época).

Para os leigos, câmeras de grande formato são muito úteis para se fotografar paisagens por causa do grande alcance dinâmico (gama tonal) que o filme e o formato proporcionam e por causa dos seus movimentos de fole que possibilitam um foco seletivo mesmo ao se fotografar grandes áreas.

Primeiro pensamento da viagem: como é difícil andar com tripé, câmera, chassis e mais um monte de coisa que ao todo pesa muito por montanhas e trilhas! Houveram momentos em que quis jogar a câmera fora! Haha! Quem já fez o caminho até a Cachoeira do Tabuleiro por exemplo, pode entender o meu drama. Me senti um atleta depois descer e subir pedras e barrancos com aquela quantidade de peso nas costas. Isto sem contar outros lugares

O processo de fotografar com grande formato é cheio de detalhes onde você pode errar e perder uma chapa (que custa caro). É necessário muita atenção e é difícil fazer foco, fotometria, composição (vemos a imagem invertida), etc. Se você quer entrar nesta, prepare-se para ficar vários e vários minutos planejando para fazer 1 foto. Sem contar o preço proibitivo de cada chapa/filme. Mesmo assim, é muito recompensador e eu não senti falta em nenhum momento de não poder fazer 675.683 fotos de um mesmo lugar. Refinei minha busca visual. Ao fim da viagem, nem usei as 25 chapas que havia levado.

Espero que goste das fotos. Minas Gerais é linda demais. Cada pedacinho dela vale ser visitado.